Narrativas Poéticas – Coleção Santander Brasil

Mostra no Museu da Língua Portuguesa une artes plásticas e poesia

Com curadoria geral de Helena Severo, a exposição que começa hoje (25) traz pinturas, gravuras e desenhos de expoentes do Modernismo brasileiro. São 58 obras de 38 artistas, acompanhadas de 46 fragmentos de poemas de 23 poetas.

Entre os artistas estão Candido Portinari, Emiliano Di Cavalcanti, Alfredo Volpi, Iberê Camargo, Tomie Ohtake e os contemporâneos Tuca Reinés, Fernanda Rappa e Renata de Bonis. Já os mestres das palavras, como João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, entre outros, também dividem o espaço com Arnaldo Antunes e Waly Salomão – especialmente selecionados para a exposição em São Paulo.

Baile no Campo (1937 - óleo sobre tela), obra de Cicero Dias (Imagem: Divulgação)

Baile no Campo (1937 – óleo sobre tela), obra de Cicero Dias (Imagem: Divulgação)

De acordo com Antonio Carlos de Moraes Sartini, diretor do museu, é muito gratificante poder apresentar uma coleção privada e de grande importância e preservação como a do Banco Santander.

Um diferencial da exposição na capital paulista é a inclusão de obras reproduzidas em alto relevo para vivências de pessoas com deficiência visual. São quatro totens em resina das telas selecionadas, que poderão ser manipulados. As obras escolhidas foram Figura, de Milton da Costa; Paisagem, de Francisco Rebolo; Baile no Campo, de Cícero Dias; e Série Amazônica, de Ivan Serpa.

Em poema de Antonio Cicero, também curador da mostra, guardar alguma coisa é perder, por isso a importância da organização de exposições como esta, seja de acervos públicos ou privados.

GUARDAR
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro
Do que um pássaro sem voos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

Antonio Cicero

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Fragmento do poema ‘O cão sem plumas’ (Foto: Tarcila Zonaro)

A mostra, que iniciou sua itinerância em 2013, já passou pelo Santander Cultural Porto Alegre, em seguida pelo Museu Nacional da República, em Brasília, e encerrou o ano no Museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte. É a primeira exposição de artes plásticas no Museu da Língua Portuguesa – que celebrou seus oito anos em 20 de março de 2014 e já recebeu a visita de mais de três milhões de pessoas.

Ficha técnica:
Curadora Geral: Helena Severo
Curadores: Antonio Cicero, Eucanaã Ferraz e Franklin Pedroso
Projeto Expográfico: Marcello Dantas e Suzane Queiroz
Produtor Executivo: Jocelino Pessoa
Diretora de Produção: Maria Eugênia Porto da Silveira

A coleção

O Banco Santander Brasil possui cerca de 1700 obras relevantes em seu acervo para a história da arte brasileira. A coleção é constituída majoritariamente por pinturas (40 por cento) e gravuras (39 por cento) – e em menor número esculturas, desenhos e outros suportes – produzidas entre as décadas de 1940 e 1980.
Além dos Modernistas também figuram nomes do Construtivismo, como Milton Dacosta; da Abstração Informal, como ManabuMabe e Tomie Ohtake; além de artistas singulares, como Iberê Camargo e José Pancetti. Possui ainda peças de artistas imigrantes vinculados à história da arte brasileira e estrangeiros com passagem pelo Brasil, com destaque para a presença dos japoneses Tikashi Fukushima, Wakabayashi, Kaminagai e Flávio-Shiró, dos italianos Volpi, Fúlvio Pennacchi, do suíço John Graz, a húngara Yolanda Mohalyi e a polonesa Fayga Ostrower.
O núcleo de gravuras conta com obras de Lívio Abramo, Arthur Luiz Piza, Fayga Ostrower, Renina Katz e Maria Bonomi, entre outros.
A coleção vem sendo ampliada com maior intensidade nos últimos dois anos, por meio de aquisições de arte contemporânea brasileira, com trabalhos de nomes celebrados e emergentes como Marcos Chaves, Ana Elisa Egreja, Cássio Vasconcellos, Luiz Braga, Paulo Almeida, entre outros.

Serviço:
Narrativas Poéticas – Coleção Santander Brasil
Museu da Língua Portuguesa
Praça da Luz, s/nº – Bom Retiro – São Paulo – SP
Até 20 de julho de 2014. Terça a domingo, 10h às 18h (na última terça do mês até 22h).
A bilheteria fecha às 17h.
Entrada: R$ 6,00. Grátis aos sábados.
Tel.: (11) 3322-0080

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