Quando a embalagem é mais apreciada que o conteúdo

Não basta ser colecionador. Tem que divulgar!
Latas, garrafas, rótulos, abridores, bolachas de chopp são alguns dos itens presentes nos acervos de Carlos Alberto Tavares Coutinho, 62 anos; de Jonathan Bruce Parker, 33 anos; e de Paulo Sergio Fernandes Arêas, 56 anos, o famoso Xerife.

Tavares Coutinho afirma ser um eterno colecionador: “Já colecionei figurinhas, gibis, bolas de gude, selos, entre outros objetos”. Ele destaca que a filatelia lhe ensinou a ser paciente, e o ato de colecionar está relacionado à sua paixão por história.

São inúmeras as aventuras dos três integrantes do “Rio Latas”, mas com uma coisa em comum: nenhum deles bebe cerveja. Conheça um pouco dessas histórias na entrevista abaixo.

Da esquerda para direita: Parker, Tavares Coutinho e Xerife na sede do Rio Latas, na cidade do Rio de Janeiro (Foto: tarcilaz)

Koleções: Quando e por que vocês começaram a colecionar artigos relacionados à cerveja?
Carlos Alberto Tavares Coutinho:
A coleção foi iniciada pelo meu filho. Depois de um tempo, ele a deu de presente para a mãe e continua sendo dela. Eu apenas a administro.
Xerife: Eu sou colecionador desde a infância. No início, existia a troca de latas por alimentos em alguns supermercados. Trocava-se as latas e os alimentos eram doados para instituições de caridade, até que meu filho mais novo propôs que pegássemos uma de cada antes de trocá-las. E foi assim que começou a coleção, que com o tempo deu origem a outros itens como chapinhas, garrafas de Coca-Cola, copos, abridores, bolachas de chopp, garrafas de leite.
Parker: Comecei a colecionar por causa de um vizinho e eu nunca havia colecionado nada. Havia muitas latas coloridas no mercado que chamavam a atenção, e passei a achá-las interessantes. Com o tempo percebi que era melhor ter qualidade em vez de quantidade e me desfiz de 2000 latas. Comecei a selecioná-las e a estudá-las. Eu tinha cervejas e refrigerantes nacionais e importados, mas decidi focar os produzidos no Brasil. Entretanto, continuava a enfrentar problemas com falta de espaço e decidi manter apenas as cervejas, principalmente Kaiser.

Parte do acervo de abridores de Tavares Coutinho (Foto: tarcilaz)

Koleções: Quantos itens formam a coleção?
Carlos Alberto Tavares Coutinho:
Eu sou supersticioso e uma delas é não contar o acervo. Pra mim dá azar. Podemos calcular pelas prateleiras, mas suponho que sejam mais de 4 mil.
Xerife: Acredito que eu tenha pouco mais de 70 garrafas e embalagens de leite, de creme de leite e de iogurte. Todas com variedades quanto à cor, a forma da escrita, o texto ou alguma outra informação.
Parker: Coleciono latas da Kaiser desde 1998 e possuo mais de 2500, além de bolachas de chopp. Tenho quase tudo com os mínimos detalhes de fábrica e variação do design da embalagem. As latas são semelhantes, mas possuem diferenças. Já das outras marcas possuo uma de cada.

A paixão pela Kaiser também é refletida na coleção de bolachas de chopp de Parker (Foto: tarcilaz)

Koleções: Como e quando foi formado o grupo Rio Latas?
Parker:
A ideia surgiu de um papo informal entre mim, o Carlos e outro colecionador, o Paulo Sampaio, em setembro de 2006. O primeiro encontro foi em novembro do mesmo ano e compareceram nove pessoas. Já em janeiro do ano seguinte veio mais gente, inclusive o Pedroso, o “colecionador de coleções”, que infelizmente faleceu, mas a presença dele foi um prêmio.
Carlos Alberto Tavares Coutinho: Quem agitou tudo foi o Jonathan e, de fato, a presença do Pedroso foi como ter o Papa na reunião. Há uma foto dele no site, e até hoje algumas peças dele ainda são leiloadas. Ele era o colecionador de coleções. Eu e o Xerife chegamos a visitar seu consultório onde vimos diversas coleções, como latas, sabonetes de motel, estampas de sabonete, entre outros itens.

Embalagens promocionais do Rio Latas, que reúne colecionadores de itens cervejeiros em seis encontros anuais (Foto: tarcilaz)

Koleções: Atualmente, o Rio Latas possui quantos integrantes?
Carlos Alberto Tavares Coutinho:
São 15 ativos e alguns que aparecem esporadicamente.

Koleções: Quantos encontros ocorrem por ano?
Parker:
Dos integrantes do Rio Latas são seis e do Brasil Chapter são 12 reuniões, além de um grande sem local fixo. Em 2010 foi em Bebedouro. Além desses, ainda tem um no Sul: o Tcherveja, organizado em um shopping e que conta com a presença de pessoas do Mercosul.

Koleções: Qual o significado da coleção?
Carlos Alberto Tavares Coutinho:
O significado mudou ao longo do tempo. Inicialmente era bonitinho. Depois se tornou uma coisa para me dedicar e quando me aposentei se tornou algo para ocupar meu tempo – e como ocupa!
Parker: É lazer. Chego do trabalho e observo as latas e relaxo. Começo a lembrar como consegui cada uma. Você sai do mundo real e entra no mundo da coleção. E ao colecionar você conquista amizades. Você até pode parar a coleção, mas as amizades permanecem.
Xerife: Desde pequeno você se empolga e dispara na coleção, e com as mudanças da vida você acaba deixando aquele acervo, e tempos depois inicia uma coleção diferente. Vai obtendo novas peças e passa da fase de ‘ajuntador’ para colecionador. Atualmente, estou ajuntando. O colecionador tem dois problemas de “es” – esposa e espaço. Enquanto tem espaço ela não reclama.

Parte do acervo de Vera Lúcia Correa Coutinho (Foto: tarcilaz)

Curiosidades:

Jonathan Bruce Parker já alugou cinco latas da Skol, por sete dias, ao custo de 200 reais para filmagens de um longa estrelado pelo ator Dado Dolabella. Havia a necessidade de ambientar a cena, na praia de Ipanema, no início dos anos 1980. Quando estavam filmando Meu nome não é Johnny, me procuraram, mas desta vez não foi concretizado o empréstimo.

Carlos Alberto Tavares Coutinho contribuiu para a publicação do Larousse da Cerveja, de Ronaldo Morado. Além desta participação, o colecionador está coletando material e informações para um livro sobre a história da cerveja.

Xerife possui uma barraca na Praça XV, na cidade do Rio de Janeiro, onde comercializa diversos artigos colecionáveis. “Tem muitas histórias de raridades encontradas na feira. O Museu da Imagem e do Som localizou um filme raro de um colunista social do Rio de Janeiro. Também já foram encontradas obras de arte roubadas, e houve um caso de um comprador que adquiriu fotografias do Museu Histórico Nacional e as devolveu à Polícia Federal”, destacou.
A feira de antiguidades ocorre aos sábados, das 7h às 14h.

Larousse da Cerveja contou com o auxílio de Tavares Coutinho (Foto: tarcilaz)

Para obter mais informações sobre a paixão por itens de cerveja ou sobre o Rio Latas: www.cervisiafilia.com.br e www.riolatas.com

Comments
  1. sergio augusto botti | Responder
  2. mario nogueira | Responder
  3. samoel | Responder

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *