Telecartofilia: cultura de bolso

Colecionar: esse é o lema de Cristiano Casagrande que encontrou na telecartofilia a sua verdadeira paixão.

Confira o vídeo em que ele ensina como “Organizar uma coleção de cartões telefônicos” e a entrevista que destaca os problemas enfrentados pelos colecionadores brasileiros de cartões.

Koleções – Você começou a colecionar em 1996. Como surgiu o interesse pela telecartofilia?
Cristiano Casagrande –
Sempre colecionei alguma coisa. Comecei com figurinhas do chicle Ping Pong e do chocolate Surpresa. Depois foram selos, moedas, latas de cerveja e refrigerante. Finalmente, parei nos cartões telefônicos que reuniam tudo o que me atraía nas outras coleções.

Koleções – Qual ou quais foram os cartões que deram início a coleção?
Cristiano Casagrande –
Meu primeiro cartão telefônico tem a imagem da Praia da Guarita, em Torres (RS), e pertence a série Verão 1994/1995 da Telebrás. Na época, era possível encontrar muitas séries disponíveis como Força Aérea Brasileira, Orquídeas, Locomotivas e Museus, e todos os cartões telefônicos no Rio Grande do Sul eram da Telebrás. A operadora estadual, CRT, começou a emitir cartões apenas em 1998.

Koleções – Quais são os temas de sua preferência?
Cristiano Casagrande –
Sempre gostei muito de História e Geografia e os cartões traziam imagens e informações que despertavam a minha curiosidade. Também gosto de viajar e conhecer outras culturas, e foi assim que comecei a reunir cartões telefônicos e ter contato com colecionadores de todos os estados brasileiros.

Koleções – Antigamente as operadoras telefônicas disponibilizava um departamento para atender colecionadores de cartões. Elas ainda dispõem desse serviço?
Cristiano Casagrande –
Definitivamente, não. Quando a Telebrás ainda era estatal, seguia temas semelhantes aos lançados pelos Correios em seus selos. Ou seja, existia um departamento dedicado a escolher temas, imagens e séries tornando o produto colecionável. Mas, com a privatização da telefonia, aos poucos as empresas deixaram de investir neste setor. A Telefonica, em São Paulo, manteve por algum tempo as séries destinadas aos colecionadores e a Brasil Telecom tinha uma loja online onde vendia todos os cartões emitidos. Porém, a Telemar foi a primeira a abandonar os colecionadores e lançar apenas cartões telefônicos com publicidade da empresa. Posteriormente mudaram o nome para Oi, compraram a Brasil Telecom e encerraram de vez os lançamentos para os colecionadores.

Koleções -Vocês organizam encontros para apresentar as coleções e trocar os repetidos?
Cristiano Casagrande –
Diminuiu muito o número de colecionadores. Ainda acontecem encontros organizados pelos comerciantes em São Paulo e Fortaleza, por exemplo. Antes, a maioria das grandes cidades dispunha de um ponto de encontro. Em Porto Alegre o lugar certo era o Brique, da Redenção, no Parque Farroupilha, aos domingos. Atualmente, o único lugar onde ainda encontro colecionadores é no Posto Telefônico da Rodoviária, no centro da cidade, um dos poucos comerciantes de telecartofilia que restaram aqui.

Koleções – Você sabe quem é o maior colecionador de cartões telefônicos do Brasil? E do mundo?
Cristiano Casagrande –
No Brasil, provavelmente seja Adriano Vasconcelos, de Fortaleza (CE). Pelas notícias que tenho, ele possui todos os cartões telefônicos emitidos no Brasil, incluindo os mais raros utilizados apenas em testes. Ele possui algumas fotos publicadas. Não sei dizer ao certo quem é o maior colecionador do mundo, mas arrisco um palpite: Jorge Pablo Villegas, de Buenos Aires (Argentina), que é o entusiasta mais ativo desse tipo de coleção.

Koleções – Quantos cartões você possui?
Cristiano Casagrande –
Eu não me importo tanto com a quantidade, dou preferência à qualidade dos cartões telefônicos. Mas, tenho aproximadamente 3500 cartões.
Escolhi completar todas as séries da Telebrás e ter alguns cartões de todas as operadoras estaduais do Brasil. O próximo objetivo é obter exemplares de todos os países que emitiram cartões telefônicos.

Comments
  1. ctelefonicos.zip.net | Responder
    • Por Tarcila Zonaro | Responder
  2. RENÊ FARIAS | Responder

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