Aliando o dever e a diversão

Há dois anos, o colecionador de brinquedos antigos Alfredo Manhães criava o blog Meus Brinquedos Antigos para divulgar suas paixões. Além de trocar ideias com outros apreciadores desse tipo de colecionismo, Manhães encontrou uma forma de ajudar uma instituição filantrópica, onde a preocupação é a criança e a família.
E foi por meio da exposição beneficente “Brinquedos do Passado” que o colecionador proporcionou aos adultos e, também, às crianças um momento para reviver o passado, além de arrecadar alimentos para o Centro de Apoio Flor do Amanhã (CENAFA).

Alfredo Manhães entre parte do acervo (Foto: Divulgação)

Conheça um pouco mais da trajetória do colecionador de 46 anos.

Koleções – Quando você decidiu colecionar brinquedos?
Alfredo Manhães –
Comecei a colecionar sistematicamente carrinhos de Autorama da Estrela em 2005, como um retorno aos tempos de garoto. Como havia alguns brinquedos meus que ficaram guardados com minha mãe a coisa se expandiu e resolvi colecionar outros.

Koleções – Qual o critério que você usa para acrescentar um brinquedo a sua coleção?
Alfredo Manhães – Normalmente eu procuro itens com base em temas, por exemplo: faroeste, brinquedos espaciais, entre outros.

Koleções – Quantos brinquedos possui?
Alfredo Manhães –
Nunca contei, pois minha preocupação é com a qualidade do acervo e não com a quantidade. Tenho dois quartos da casa cheio deles.

Koleções – Qual o item mais antigo?
Alfredo Manhães –
Um conjunto de soldadinhos de chumbo datado de aproximadamente 1890, fabricado na Alemanha. Eles são do tipo flat figure (figura achatada), fabricados de uma liga a base de estanho e pintados dos dois lados, os quais retratam os Mosqueteiros Franceses do Século XVII; tenho o jogo Pit Bull and Bear, de 1904, e o Hess Dynamobil, de 1910. Esses são os mais antigos.

soldadinhos

Soldadinhos de chumbo dos Mosqueteiros Franceses do Século XVII (Foto: Divulgação)

Koleções – Quando criança, você chegou a ter brinquedos feitos por você?
Alfredo Manhães –
Sim, vários. Fazíamos com latas de leite, carretéis de linha, caixas de cebola e outros materiais. Pretendo, em breve, criar um espaço no blog com esse tipo de brinquedo.

Koleções – Teve algum que, por falta de peças no mercado, você teve que improvisar para consertar ou restaurar?
Alfredo Manhães – Sim, vários. O improviso é uma necessidade nas restaurações, pois como são muito antigos não temos peças disponíveis a não ser como sucata. Vários dos que tenho aqui chegaram em estado ruim, mas com paciência e criatividade foi possível deixá-los mais bonitos e, inclusive, funcionando.

Koleções – Teve alguma adaptação engraçada?
Alfredo Manhães –
Sim, e os meninos que me perdoem, mas fiz um gorro para um boneco Falcon usando elástico de cabelo. Elástico feminino! (risos)

Koleções – Na sua opinião, por que adultos gastam tempo e dinheiro com brinquedos antigos?
Alfredo Manhães –
No meu caso há vários motivos: preservar objetos antigos como forma de manter a memória da civilização; manter o contato com as crianças e seus familiares nas exposições que organizo; além de me distrair nas horas vagas brincando. E como professor, penso que o brinquedo é de suma importância no crescimento da criança, e isso deve ser incentivado.

Koleções – A exposição “Brinquedos do Passado” foi montada exclusivamente com peças de seu acervo ou contou com brinquedos de outros colecionadores?
Alfredo Manhães –
Somente de meu acervo, até porque aqui em Macaé (RJ) não conheço outros colecionadores de brinquedos. No momento só conheço alguns que residem em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Koleções – Atualmente, a maioria das crianças se sentem atraídas pela tecnologia e se distanciam das atividades lúdicas. Você teria alguma sugestão para que elas voltem a se interessar por brinquedos?
Alfredo Manhães –
Acho que vou agir como um advogado do diabo. (risos)
Esse afastamento começa dentro da própria casa, pois muitos pais estão deixando a educação dos filhos a cargo da televisão e do computador. Sei que todos precisam trabalhar para manter um certo padrão de vida, mas até que ponto isso é saudável para os pequenos?
As tecnologias diponíveis deveriam ser usadas com a supervisão do adulto. Talvez falte aos pais reverem o processo de educação dos filhos, incentivando a utilização de brinquedos desde muito pequenos e deixar o computador e a TV para outro momento. Aqui em casa foi assim! E olha que sou profissional de TI. (risos)

A exposição de brinquedos acabou, mas é possível conferir a de Quadrinhos Antigos, também organizada e com peças do acervo de Alfredo Manhães.

Serviço:
Exposição Quadrinhos Antigos
“A arte sequencial no Brasil de 1908 a 1974”
Local: Museu da Cidade de Macaé – No Solar dos Mellos
Rua Conde de Araruama, 248 – Centro – Macaé – RJ
De 5 de julho a 6 de agosto de 2010, das 9h às 17h.
Telefone: (22) 2759-5049

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