Coleção de figurinhas? Que nada!

Aos 11 anos usava o dinheiro da merenda para comprar revistas de mulher pelada

Stênio Guerra nasceu no Ceará  e começou a colecionar a revista Playboy americana em 1969. Foi para o Rio de Janeiro aos 13 anos e entre os colegas de escola desenvolveu o que seria a grande paixão de sua vida. Guerra possui todos os exemplares (da edição nacional) publicados desde 1975, época em que a revista ainda se chamava Homem.
Atualmente, possui um acervo com mais de 6000 exemplares, os quais vende e aluga. Ele é conhecido popularmente como “Guerrinha da Playboy”. Confira abaixo as peripécias desse colecionador.

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Guerrinha em sua banca instalada na Zona Sul de São Paulo (Foto: tarcilaz)

Koleções – Quando e como surgiu a ideia de abrir a banca para vender e alugar as revistas Playboy?
Guerrinha –
A ideia surgiu após uma discussão com a minha esposa. Eu guardada a coleção em casa, e além de ter pouco espaço, ela também tinha ciúmes das revistas.
Por isso, decidi abrir a banca no estacionamento da loja de materiais de construção Nicom, onde eu também sou funcionário contratado, com carteira assinada. Minha função é supervisionar o estacionamento, fazer amigos e alugar ou vender Playboy.

Koleções – Você iniciou a coleção de Playboy com quantos anos?
Guerrinha – Comecei a colecionar aos 11 anos. Talvez um pouco menos, uns 10 anos. E foi difícil, pois minha família era muito religiosa. Então, a solução foi guardar os exemplares na casa de um amigo da escola.
Meus pais são Testemunhas de Jeová e eram muito rígidos. Hoje, eles têm orgulho de mim justamente por causa da coleção.

Era engraçado, porque eu levava as revistas para a escola com o objetivo de ver as fotos como os meus amigos, longe das meninas. Nós subíamos num pé de Ingá que tinha no colégio e as meninas ficavam no chão. Eu costumava levar um pedaço de pão seco para fingir que estávamos dividindo o lanche, e sempre alguém falava: “Quer um pedacinho de pão”. Essa era a nossa encenação.

Até que um dia um amigo pediu a revista emprestada e eu tive que negar. Respondi: “Não posso emprestar, só tenho essa!”; mas ele insistiu e disse que pagaria um aluguel. Foi nesse momento que surgiu a ideia de alugar as revistas.

Eu tinha muitos amigos. Estava sempre cercado de meninos (risos).

Teve uma época em que algumas mães iam para a escola com o objetivo de afastar os filhos delas de mim, justamente por causa das revistas, mas a gente dava um jeito: colocávamos as revistas entre livros e elas pensavam que nós estávamos estudando. Era um barato!

Koleções – Na história da revista Playboy algumas edições bateram recordes de vendas. Quais foram as mais vendidas?
Guerrinha – O recorde dos recordes foi a Feiticeira (Joana Prado). Mas, a Tiazinha (Suzana Alves), a Adriane Galisteu e a da dançarina Scheila Carvalho também venderam bastante.

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A edição de dezembro de 1999 da Feiticeira teve circulação de 1 milhão e 101 mil exemplares

Koleções Alguma modelo te decepcionou?
Guerrinha – Não. Toda mulher que estampa a capa Playboy é selecionada. Todas são bonitas. Até a Hortência tem uma importância muito grande, apesar de ser alvo de críticas. Ela é muito bonita. “Mulherão” mesmo. Eu sou fã da Hortência. Cada uma possui uma beleza diferente.

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Hortência estampou a capa da Playboy em fevereiro de 1988

Koleções Além da Hortência, que você falou que é fã, qual outra você tem como musa?
Guerrinha –
Sílvia Bandeira! Eu dormia com ela! (risos). Isso foi na década de 1980. Ainda hoje ela é linda, linda. Gosto, também, da Magda Cotrofe que se tornou minha amiga. Inclusive, já veio aqui na banca me buscar para uma reportagem.

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Da esquerda para direita: Sílvia Bandeira em abril de 1983 e Magda Cotrofe em maio de 1985

Koleções A Xuxa quer retirar as revistas em que aparece nua do mercado. Alguém ligado a ela já te procurou?
Guerrinha –
Sim, mas não me proibiram de vender. Inclusive, tenho oito exemplares da Playboy da Xuxa, todos eles com as capas bonitas, as propagandas e embalagem de fábrica.
Eu venderia a revista por uma proposta boa. Alugo por seis dias a 150 reais, mas somente para os meus amigos mais íntimos. Não alugo pra cliente, alugo pra freguês! Freguês é uma coisa, cliente é outra. Freguês é aquele que está sempre por aqui.

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Xuxa posou para a Playboy em dezembro de 1982

Koleções Qual a edição mais rara da coleção?
Guerrinha –
A mais rara é a da modelo chamada Debra Fronden, que estampou a capa da primeira Playboy publicada no Brasil, em julho de 1978. Foi o primeiro número usando o nome Playboy. De agosto de 1975 até junho de 1978, a publicação recebia o nome de Homem. Ela era muito conhecida na época.

Tem, também, a da Sônia Braga, que estampou a capa da revista três vezes. A edição de 1984 é muito rara e eu já vendi por 450 reais. Atualmente, eu só tenho um exemplar e não vendo.

Capa de Debra Fronden

Capa de Debra Fronden

Koleções Parte do conteúdo da Playboy é disponibilizado gratuitamente na Internet. Isso afeta ou afetou a venda ou aluguel das revistas?
Guerrinha –
Não. O pessoal compra a revista para olhar mulher pelada. Não se compra Playboy pra ler as reportagens (que são muito boas). O pessoal do Norte e Nordeste do Brasil sabe disso. Eu vou postar duas revistas da Lúcia Veríssimo para Salvador, por exemplo.
Visualizar a foto na Internet não dá a mesma sensação de ver mulher nua na sua frente. Por meio da revista é como se a mulher estivesse ao vivo e a cores. A internet não proporciona isso.

Koleções Você tem clientes do sexo feminino?
Guerrinha –
Tem mulher que compra as revistas para os filhos. Há mais ou menos um mês, uma mulher estacionou o carro e desceu com o filho, que aparentava ter 9 anos. Ela comprou em torno de nove exemplares da Playboy e ajudou o filho a escolher, indicando as “boas”.
Vendi porque a mãe comprou. Para menores de idade eu não vendo, nem alugo. Aluguei, também, para duas moças, ambas estudantes de Jornalismo.

Koleções Qual o valor máximo que já pagaram em um exemplar?
Guerrinha –
Já vendi uma revista por 12 mil reais. Um homem me ofereceu primeiro 10 mil, mas eu não queria vender, apesar de aceitar cheque e cartão. Depois a oferta foi pra 12 mil. Como ele foi insistente e, inclusive, mandou um motoboy com um envelope com todo o dinheiro, eu vendi.
Fiquei numa tristeza danada, mas quando contei pra minha esposa, ela disse: “Homem, você continua burro!”

Koleções E quem estampava a capa desse exemplar que lhe rendeu 12 mil reais?
Guerrinha –
Não.Isso eu não conto pra ninguém!

Koleções Geralmente as esposas, como a sua, têm ciúmes das revistas. Por que as esposas não devem proibir a Playboy em casa?
Guerrinha –
O marido que compra Playboy vê as fotos e lê as reportagens em casa. Ele não irá para um bar beber pinga. O “maridão” vai ficar em casa e firme, nunca vai falhar. O leitor de Playboy tem um apetite sexual muito grande.
Eu vendia revistas para o pai de um amigo, agora vendo para ele. Meu negócio é bom por isso, vendia para o pai e agora vendo para o filho. Pode não dar dinheiro, mas é divertido!

Koleções Você já vendeu coleções completas?
Guerrinha –
Sim. Nessa época, a Playboy contava com 412 edições. Muitas vezes sai mais barato comprar a coleção do que apenas um exemplar.
Colecionador que vem atrás de uma revista rara paga mais porque vai escolher. Quando alguém escolhe algo fica mais caro.

O famoso colecionador também guarda uma peça rara: a primeira edição da revista Quatro Rodas.

De acordo com Victor Civita, fundador da Editora Abril, havia três razões para criar a revista:
• O crescimento automobilístico no Brasil era considerável;
• Os consumidores necessitavam de uma publicação com informações completas e compreensíveis sobre manutenção, consertos, serviços, etc.
• “Porque belíssimos recantos de nosso País estão esperando para serem descobertos e valorizados turisticamente por aqueles que possuem carros e um louvável espírito de aventura”, destacou Civita na primeira edição.

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Guerrinha e a edição nº 1 da revista Quatro Rodas (Foto: tarcilaz)

Guerinha ainda destaca que colecionar revistas é dureza: “Você tem que abri-las, folheá-las, trocar de lugar para cupim nenhum comer. Se um cupim pegar uma pilha de revistas, ele vai comer de cima até o fim¨.

Serviço:

Banca do Guerrinha da Playboy
Rua Ática, 47, Brooklin, São Paulo, SP. (Estacionamento da loja de materiais de construção Nicom)
Horário de funcionamento: De segunda a sexta-feira, das 7h30 às 21h. Sábados, domingos e feriados, das 8h às 20h.

Mais informações:
www.reidaplayboy.com
(11) 9443-9795

Galeria de Fotos:

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(Fotos: tarcilaz)

Comments
  1. Joselyn Hebard | Responder
  2. alice freitas | Responder

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