O cenário da Filatelia no Brasil

Na década de 1970, a Associação Brasileira de Filatelia Temática (Abrafite) contava com 200 sócios. Dez anos depois, com o lançamento da coleção “Selos de Todo o Mundo” pela Nova Cultural, houve um aumento de 300 filiados. Atualmente, a Associação conta com apenas 30 integrantes. A filatelia, assim como outros tipos de coleções, está em declínio.

Quem traçou este cenário foi o próprio Presidente da Abrafite, o Sr. Geraldo de Andrade Ribeiro Jr. Ele destaca que as pessoas, principalmente as crianças e os jovens de hoje, não têm mais interesse em colecionar selos, pois se criou a ideia de que “se acha” tudo na Internet.

geraldo_01

Andrade exibe um de seus álbuns durante visita à Feira do Bixiga, em São Paulo, na Pça. Dom Orione (Foto: tarcilaz)

Andrade, natural de Franca, interior de São Paulo, começou a colecionar selos ainda na infância, incentivado pelo pai. A primeira exposição ocorreu aos 7 anos sob o tema Esportes. Em setembro de 2009, ele completou 50 anos de Filatelia: como filatelista, expositor e dirigente.

Era e ainda é difícil organizar uma exposição, principalmente no interior. “Minha primeira missão foi pintar os rodapés dos painéis. Pintei quilômetros de rodapés na cor preta, pois entre uma exposição e outra acabavam riscados acidentalmente”, contou o colecionador. As primeiras medalhas em exposições foram conquistadas aos 10 anos.

Assim como muitos, Andrade já foi obrigado a vender parte de seu acervo: “Quando a gente fica desempregado ou alguém na família adoece, e é necessário custear o tratamento, você não pensa duas vezes e vende. Dói, mas você vende!”

selos_todo_mundo

Fascículos da coleção “Selos de Todo o Mundo”, editados pela Nova Cultural no final da década de 1980 (Foto: tarcilaz)

Os critérios de avaliação nas premiações

De acordo com Andrade, existem cinco:

1) Apresentação; É proibido fundo preto, pois dificulta a visualização do selo. Da mesma forma que não é estético aplicar apenas um selo em uma folha, também é desaconselhável inserir 20 selos, pois o filatelista não terá espaço para descrições.
2) Raridade;

3) Estado de conservação;
4) Conhecimento filatélico e profundidade de pesquisa
;
5) Roteiro da Coleção. Por exemplo, ao escolher o tema Futebol, é necessário pesquisar sobre o juiz, pois existem selos destinados a ele. É preciso, também, falar da bola.

Filatelia é cultura: “Quando criança, eu aprendi sobre as Caravelas (Nina, Pinta e Santa Maria), entre outros tópicos da história do Brasil e do mundo por meio da minha coleção de selos”, exemplifica Andrade.

Comemoração

Em 5 de março de 1829, D. Pedro I organizou os Correios do Brasil por meio de um decreto, o qual definiu tarifas e outras questões que permeavam os serviços postais. Por isso, nesta data é comemorado o Dia do Filatelista Brasileiro.
O Brasil foi o primeiro país das Américas a adotar o selo em suas cartas, o qual recebeu o nome de Olho de Boi.

Encontros Filatélicos em São Paulo

Todo último sábado do mês, das 9h às 12h, há reuniões na Agência Filatélica D. Pedro II, no Prédio Histórico dos Correios, Mezanino, situado à Av. São João s/nº.
Os encontros são gratuitos, e além de cursos, o visitante ou o futuro filatelista poderá apreciar mini-exposições.
Mais informações: (11) 3227-9461.

Galeria de fotos:

selos_01

(Fotos: tarcilaz)

Comments
  1. Ranee | Responder

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *